No início desse mês fiquei sabendo que teria uma prática especial no ashram onde faço minha formação e práticas de yoga. Um encontro com um mestre do Nepal, trazendo ensinamentos sobre o Tantra Yoga tradicional.
O mestre se chama Prakash, fundador do Shanti Yoga Ashram, no Nepal, e vem de uma linhagem tradicional e clássica do Tantra Yoga. Desde 2014, ele viaja pelo mundo levando esse ensinamento exatamente como aprendeu, sem adaptações modernas ou versões novas “ocidentalizadas”.
Quem trouxe ele para o Brasil e fez toda a tradução da experiência foi a Beatriz (@beatrizshanti_), uma brasileira que fez sua formação no Nepal, no próprio ashram do Prakash.
E chegou o dia. Hoje, começamos a prática às 6h da manhã.
O ambiente estava lindo e cuidadosamente preparado, como sempre. A Monika, minha mestra de yoga e proprietária do ashram, prepara tudo com muito carinho. Flores, altar, incenso, organização do espaço… Sempre uma aura e a energia incrível no ashram.
A primeira parte do dia foi o Puja (que é um ritual de preparação) com mantras e oferendas. Recebemos um material com os mantras em sânscrito. Alguns eu já conhecia, outros eram novos e difíceis, massss ali não era sobre perfeição. Era sobre presença.
Teve um momento marcante em que o mestre passou uma tinta amarela e vermelha entre nossas sobrancelhas, no centro da testa. Um gesto simples, silencioso, mas cheio de significado.



Depois seguimos para a área externa, onde o mestre fez uma fogueira e conduziu um ritual enquanto nós entoávamos mantras e meditávamos ao redor do fogo. Tudo ficava mais lento. Mais simples. Mais presente.
Na sequência, veio a prática principal: mais de duas horas de Tantra Yoga (Kundalini Yoga).
A prática unia movimentos físicos, respiração, mantras dos chakras e a ativação dos bandhas, que são fechos energéticos usados para direcionar a energia no corpo. Essa energia energia da criação, energia da vida também desperta criatividade e confiança.


Durante todo o tempo, o guru transmitia uma presença muito marcante. Uma aura de paz e serenidade, daquelas que acalmam só de estar perto. Ao mesmo tempo, ele era firme, direto e trazia orientações muito práticas sobre disciplina, sem rodeios. Uma combinação rara: suavidade sem perder clareza.
Quando a prática terminou, já eram quase 11h30, e fomos tomar café (como sempre no espaço tudo vegano). Tinha pão de cenoura com cúrcuma, bolo de banana com aveia, pastas, frutas, café, chá, leite de amendoim feito na hora e suco de melancia. Um cuidado enorme da Monika depois de uma prática tão exigente.

Depois do café, tivemos o Satsanga, um momento de conversa e ensinamentos com o mestre. Um espaço para perguntas, reflexões e troca. Ali aprendemos mais sobre o Tantra Yoga tradicional e como ele é muito diferente da visão ocidental, muitas vezes reduzida a algo apenas sexualizado.


Foram perguntas profundas, algumas polêmicas, que quebraram tabus e paradigmas. A principal mensagem ficou clara: o tantra fala de aprender a acessar e canalizar a energia da vida e da criação com consciência, a partir de uma visão não onde não existe separação e tudo pode ser encontrado dentro de nós.
O guru foi extremamente gentil e acessível, respondeu todas as perguntas com calma, falou sobre sua missão e ainda nos convidou para conhecer seu ashram no Nepal.
Finalizamos por volta das 15h30.
Foi um dia diferente, intenso e muito especial. E que vale o registro por aqui para guardar detalhes desse dia com carinho.
Alguns detalhes:
O ashram que frequento e onde foi a prática fica em Mogi das Cruzes e aqui fica minha indicação máxima, vale muito a pena uma visita e uma prática experimental: Ashram Natural Ser
Se quiser saber mais sobre o tantra yoga e agenda do guru (que fica apenas mais alguns dias no Brasil, se não me engano até dia 10/02) siga a Bia: Beatriz no instagram
e para saber mais sobre o trabalho do guru no Brasil:Shanti Yoga Brasil
e sua página oficial: Shanti Yoga Oficial


